segunda-feira, 15 de abril de 2013

O menino






Andas para onde meu menino?
Com esse peito aberto ao vento
Como se tudo estivesse tranquilo
E a vida num passe de mágica
Fosse uma fábrica de doces e risos...
Sorri para quem pequenino?
Nesse mundo de ninguém
Rabiscando poesias que nunca tem fim
Pintando o universo de esperança
Quando há tanta dor e agonia
Que queres tu menino de mim?
Subindo em árvores, saboreando o ar
Dedilhando o som das estrelas,
Ouvindo a sabedoria do mar
Por que olhas para os meus olhos
Como se eles fossem os teus?
Por que encantas essa pobre alma
Como se a conhecesse mais do que eu?
Peço-te que não vá embora pequenino!
Pois esta noite encheu-me de luar
Esteja comigo pelo menos esse instante
E pede pro medo não me acordar!

domingo, 17 de março de 2013

Pensamento


Palavras vagas, móveis velhos e pó.

As nuvens estão sem cor.

Lá fora a chuva cai e não ouço a canção.

Cinzas no cinzeiro, céu de telas.

Não sinto mais os pingos.

Não me vejo em ninguém.

Lugar nenhum é mais seguro que aqui, onde:

Não pergunto.

Não sei querer.

Nem consigo procurar.

O quê?

A solidão... Descobriu-me.

Num mundo de ilusão.

E dele fez morada.

A solidão desse mundo.

Não tem coração.

Não.

Apenas invade e morde.

Não cicatriza, a dor que sangra.

Até nos secar, dissecar tudo o que a gente ama.

Tudo o que não soubemos amar.

O mundo dessa solidão.

Não tem coração.

Não, não!

Deus








‎"Amar o próximo como a si mesmo." 
Este é, ou pelo menos deveria ser, o maior principio de qualquer religioso. Mas não é o que acontece num mundo onde a intolerância domina, por falta de conhecimento e sensibilidade, onde não se reconhece no outro o Deus reconhecido em si mesmo. 
Então, que "Deus" é esse, que em seu nome, divide a humanidade em raças, discrimina, julga, vende lugares no seu céu, tira o pão de quem sente fome pra construir castelos e templos de ouro donde fazes moradas de líderes hipócritas e criminosos, que voltará para separar os bons e os maus, para condenar ou absolver, para preencher o céu ou o inferno, um "Deus" que castiga, que segrega, que usa os homens para proclamar sua palavra e determinar em seus corações seus caminhos, sua felicidade, suas condenações, provações... Um "Deus" que fundou religiões, templos e quem não aceita, é condenado por toda eternidade. Que acumula alienados onde tornam-se escravos da própria fé, quando proclama no seus corações a culpa, quando os seus fiéis exercitam a "bondade" esperando serem absolvidos e escolhidos. 
Não, não posso acreditar nesse Deus. 
Meu coração não permitiria. E nem por isso me sinto ovelha perdida ou vazia do sentimento Amor! O meu Deus não tem religião, não tem credo, não tem cor... o meu Deus não é padrão, não faz penitência nem sermão, o meu Deus não tem Patrão, é operário, é irmão... o meu Deus é igual a mim, é igual a você, é construção... tem os olhos coloridos, tem o abraço infinito onde o mundo todo possa caber, o meu Deus não possui reféns, nem verdades absolutas, conceitos determinados, revelações obscuras... ele é livre, ele toca samba, toca flauta, ele assobia, ele tem asas... ele dança afro, dança frevo, dança tango, dança romana ou também não dança... A religião dele é o próximo, é o mar, é a lua, é o olhar, é o toque sincero, o riso feliz, a mão humilde, a sabedoria da compreensão, o mistério da vida, o conhecimento e a voz do coração... É universo, é infinito verso... a felicidade triste, a felicidade alegre, a pureza de um sonho, o sonho de um menino, o rabisco de um poeta... é a harmonia de todos os seres, é a luz que nasce da escuridão!

"O reino de Deus está dentro de você e à sua volta, não em mansões de madeira e pedra; lasque um pedaço de madeira e lá estarei, levante uma pedra e lá me encontrará!"


quinta-feira, 7 de março de 2013

Voltando!




Lá... estremecido pelo que não foi
Caminha passos lentos, tontos
por águas estranhas que não te matam a sede
nem te embebes de sensações tamanhas
nem te afugentas de dores profundas
Caminha desvairado no silêncio que te proteges
Calada... cálida força que se prende
em teias confusas que adormecem a mente.
Não dá pra alcançar... e tudo se vai partindo...
Para onde, cor dos olhos teus?
Olhos meus, tão meus agora...
Por que foges tu, quando te apavoras?
diante de tanta desarmonia
que te roubam vastidões de alegrias
que te secam campos silvestres, ideologias
Quem és tu? Quem tu és?
Quando findará os teus ideias sem-fins?
abandonados pelo impulso que não há
emoções passageiras, confundindo o sopro de um clarim
partir-se-ão sem deixar pedaços...
A luta que não houve, a glória que não existe.
É nesse instante que arrisco o risco
Num rabisco de papel infinito
Pinto... O meu tão alto riso!
Desenho-me de novo, reconstruo o meu corpo
Recriando no movimento o equilíbrio
Reencontro jardins, caminhos secretos que clamam a alma
Amaciando as notas, embalo-me na sala
A canção da madrugada
Pés descalços, estou voltando
Noutra estrada!

domingo, 8 de julho de 2012





Quem é esse homem de pele sem cor e uniforme laranja?
Pra quê lhe vestiram cor tão vivaz?
Tijolo e cimento, o sol raiando o azul do dia
Não lhe seria uma pena a mais?
Quem é esse homem de cabelo raspado,
Rosto marcado, olhar cabisbaixo?
Reconstruindo o muro da delegacia,
Chamam-lhe de preso, mas não sei o seu nome
Nem me disseram quem é esse homem?
Que homem é esse por mim imaginado?
Por que seus olhos insistem em olhar para baixo?
De onde ele vem? Para onde ele vai?
Tijolo e cimento, o sol raiando o azul do dia
Não lhe seria um dia a mais?
Dei-lhe bom dia e sorri:
Assustado debulhou-se num riso oprimido
E esmagou as palavras... Quase que lhe ouvi!
Não sai da minha mente a imagem de ontem
Atrás deste rótulo, quem é o homem?
Quem será o primeiro a perguntar o que sente?
O homem sem voz, o homem sem olhos,
O homem sem corpo, o homem dormente.
Da etiqueta do criminoso, do processo excludente.

Homem, quem é você?

terça-feira, 26 de junho de 2012

Não sei.
Não sei...
Não sei!
Não serei?
Sei não.
Sei não...
Sei não!
Serei não?
Não sei não, senão não serei!
Pior o talvez?
Ou o não sei?
Tanto fez, quanto faz...
Quanto faz, tanto fez!
Tanto fez, tanto faz?
Serei não sei, senão
Nunca saberei!

Como saber o que não sei,
se não serei o que saberei?
O que quero ser, nem sempre eu sei,
Mas não serei o que não sou e não sei!