terça-feira, 15 de dezembro de 2009

14-12-2009, Joinville, SC.




Chega uma hora que a gente cansa. Cansa e não quer saber. Cansa e não quer olhar para não mais ver. Não quer tocar para não mais sentir. Não quer mais falar o que nunca chegou a ouvir. Não quer mais chorar o que deixou de sorrir. Chega uma hora que as estrelas tornam-se ilusões de um admirador solitário, e o coração exausto pára de viver o que um dia, com coragem, acreditou!
Esse coração que já viajou os sete mares, já lutou em tempestades, onde o vento frio tantas vezes o despedaçou. Esse coração que transborda amor quando bate, que como rosa se abre a todos que no seu caminho já encontrou. Que voa leve feito pluma, dançando música, fazendo do sonho uma obra pura de arte, que enaltece os olhos de quem o vê, de quem o acredita, e com os olhos da alma fita a sua verdadeira face.
Esse coração que se entrega sem medo de fazerem dele como aqueles velhos brinquedos que já não “servem” mais... Esse coração que acredita na força do amor, e nada pede em troca, que se sorri ou se chora, suspira a paz pelo simples dom de se doar a alguém. Um coração que vibra ao sentir o som das asas de borboletas entre as flores, que respira a manhã que chega com o canto dos bem-te-vis, descobrindo no eterno sabor de cada segundo, pulsar a razão do existir.
Esse coração que pula feito menino, corre, grita, canta, perde o tino, ao calor das mais suaves e profundas emoções, abraça outros corações e percorre o infinito, como um cometa, desenhando no imenso universo o som de um belo sorriso amigo.
Esse coração que está cansado... Tem medo de ficar congelado no tempo desse mundo apressado, que futiliza todos os nossos gestos, palavras, sentidos. Esse coração exausto já quase não alcança os próprios passos rumo à felicidade de ser.
Chega uma hora que se cansa de ver a esperança esvair em versos de dor. Chega o momento que tudo o que queremos é ser sentido e amado, ser acolhido pelos braços de alguém que também acredita no ser, que vive aquilo que faz, que sente aquilo que diz, sem ser aparentemente um a mais... Mas que seja um a menos, em meio a multidão de coisas superficiais.
Sentada no banco da praça, no centro da cidade, em meio ao barulho dos automóveis, dos calçados que se desgastam na pressa, nos passos pesados que os levam aos destinos onde já não são... Eu ainda ouço o som dos pássaros, o vento nas árvores, e o pulsar de corações nas diferentes expressões que o tempo do mundo esculpiu. E de repente, meu coração avista uma criança com seu balão a brincar. Segura-o com amor e cuidado, para ele não fugir... Porém, distraída, olhando as pombinhas do chão, corre feliz entre elas, e escapole dos seus dedos o seu colorido balão. Quando se dá conta, num gesto singelo, a criança põe-se a sorrir, diz adeus ao seu balão colorido e o acompanha com os olhos cheios de brilho, ele voar rumo ao céu azul.
Coração meu, então, suspira, e de repente nos meus olhos também brilha aquela esperança fiel de menina. Que acredita no mundo colorido, onde todos possam ser o que são, onde a gente saiba estender a mão, sem envaidecer o nosso coração.
A hora do cansaço vai passando, e eu vou me alimentando de tudo o que meus olhos ainda conseguem sentir...

3 comentários:

Adriano Cabral disse...

Não é fácil... já dizia uma amiga.

Não é fácil manter-se íntegro, ser quem nós somos, pessoas ricas em sentimentos e crédulos na magia da vida quando o mundo é tão duro.

Mas, talvez seja fácil se jamais deixarmos sumir o encanto que existe no coração de criança.
Estamos cansados, mas não mortos.
bjos poetisa.

Ana Karulina disse...

Coração cansado de acreditar nesse amor que um dia pareceu sincero e puro.
Cansado e desiludido por palavras frias, atitudes duras e infantilidade.
Triste e ferido por ações egoístas e hipócritas.
Cansado, magoado porém

continua a bater ...

Jocemir Adenilson de Souza disse...

Sua mãe falou muito bem dessa poesia. Vejo que ela não exagerou. é demais! amei!
è profundo, é tenso, é real, é cheio de sentimentos passados rigorosamente, como que quem lesse tabém sentisse o que se passa.
Parabéns.